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28 de maio de 2011

Vamos fazer um passeio pela história das Festas Juninas?

Lá no ínicio, muito antigamente, tudo começou assim...



Foi há muitos anos, milhares de anos atrás. Os homens começavam a sair das cavernas e se transformavam numa sociedade de pastores e agricultores, que cuidavam, criavam animais, semeavam e colhiam suas plantações.

Em ambos os casos, precisavam da fertilidade da terra de condições benéficas do clima e da natureza e, claro, da proteção da Divindade, entidade maior que dominava tudo e fazia o Sol nascer e se por, a Lua surgir e também desaparecer, a neve cair, as plantas brotarem e as flores se abrirem.

Para este Poder Maior que comandava a Natureza em seu ciclo e que dava origem ao milagre da proliferação das plantas, animais e do próprio ser humano, se dirigiam às mensagens. Em preces de agradecimento, pedidos e invocações.

Antes mesmo que as palavras existissem, estas mensagens eram expressas em gestos, rituais e símbolos às quais se acrescentou a fala.

Como eram estes gestos, rituais e símbolos? A resposta é simples: se era para agradecer a colheita, oferecer à Divindade um pouco desta própria colheita. Se era para agradecer a fertilidade dos animais, entregar à Divindade um pouco desta conseqüência da mesma fertilidade. Se era para pedir, realizava-se algum gesto que simbolizasse isto. A dança gestual ou coreográfica tornava-se um elemento fundamental.

O Sol e a Lua recebiam seus agradecimentos. Acendia-se a fogueira, tanto para afugentar, através da luz e das chamas do fogo, os maus espíritos, como também para que fosse um intermediário do visível para o invisível, consumindo as ofertas que o ser humano fazia à Divindade. Frutos, trigo, o melhor da colheita, tudo se transformava, pela ação do fogo, em algo invisível, espiritual, capaz de agradar ao Poder Maior.

As árvores, símbolos da própria fertilidade da terra e, às vezes, residências dos seres maiores da natureza, eram enfeitadas e “vestidas” pelos homens e, junto delas, a fogueira ritual armada, dançava-se e cantava-se, num ritual em que o som e o ruído tinham grande importância, afugentando tudo o que não era bom.

Quando esta festa acontecia? Só podia ser no tempo da colheita, o que acontecia logo depois do inverno e da primavera, no início do verão. Um período que correspondia ao mês de junho no Hemisfério Norte. Isto muito antes dos gregos se tornarem uma nação ou de Roma se transformar no centro do mundo. Foram, porém, os romanos que deram à antiga Festa da Fertilidade um nome, as Junônias, em homenagem à deusa Juno, no mês a ela dedicado, junho.

Juno, a grega Hera, é mulher e irmã de Júpiter. Deusa-mãe, esposa universal, símbolo do amor conjugal, da fidelidade e da fertilidade, protetora das esposas e dos casais, detentora dos “penates” e dos lares. Um autêntico símbolo para uma festa que tem no culto a fertilidade a sua origem e consistência.

TRANSFORMAÇÕES

Quando o cristianismo começou a ser implantado na Europa, tentou-se, de todas as formas, acabar com estas tradições milenares, oriundas do paganismo. Isto não foi conseguido e a própria igreja acabou “adotando” algumas das festas, como a do “solis invicti” (que se integrou ao Natal) e as próprias Junônias.

Toda a simbologia do fogo revitalizador e transformador se incorporou ao lendário de São João. Fogueiras e barulhos em torno de mastros enfeitados como as antigas árvores primitivas. E ali se dança, como antigamente.

À simbologia do fogo, a festa “cristã” incorpora um outro elemento, a água, como a lavagem das imagens do santo, às vezes, até com um certo sentido de punição por não ter concedido alguma “graça” a quem lhe pede.

Este ritual da água se fundamenta, primeiramente, na tradição que conta como João batizou Cristo nas águas do Rio Jordão, mas é certo que há, nitidamente, uma influência árabe, com seu costume de abluções, na origem do costume.

Mesmo com as mudanças, outro antigo simbolismo permanece de pé na nova festa “cristã”: a lembrança da fertilidade. Não é uma simples coincidência que a maior parte das tradições, costumes, adivinhas e ritos se dirija às questões do amor e do casamento, símbolos maiores da vida que continua e se mantém através das pessoas.

Mais ainda: num processo lento de assimilação inconsciente das tradições antigas, a festa junina incorpora um outro elemento típico da fertilidade e da vida. Nesta se realiza o “casamento”. Picaresco ou cômico, mas sempre um casamento, quase sempre com a “noiva” já grávida, trazendo, portanto, dentro de si, os sinais da vida. É a velha herança milenar permanecendo de pé.

INTRODUÇÃO

Depois do Carnaval, o evento mais esperado do calendário brasileiro são as festas juninas,que animam todo o mês de junho com muita música caipira, quadrilhas, comidas e bebidas típicas em homenagem a três santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Naturalmente as festas juninas fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil.

Seria as festas juninas folclore ou religião? Até onde podemos distinguir entre ambos? Neste estudo não pretendemos atacar a religião católica, já que todos podem professar a religião que bem desejarem, o que também é um direito constitucional. mas tão somente confrontar tais práticas com o que diz a Bíblia.

HERANÇA PORTUGUESA

A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes.

Como é do conhecimento geral, fomos descobertos pelos portugueses, povo de crença reconhecidamente católica. Suas tradições religiosas foram por nós herdadas e facilmente se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que instituições educacionais promovem, em nome do ensino, as festividades juninas, expressão que carrega consigo muito mais do que uma simples relação entre a festa e o mês de sua realização.

Entretanto, convém salientar a coerente distancia existente as finalidades educacionais e as religiosas.

É bom lembrar também que nessa época as escolas, "em nome da cultura", incentivam tais festas por meio de trabalhos escolares, etc... A criança que não tem como se defender aceita, pois se sente na obrigação de respeitar a professora que lhe impõe estes trabalhos (sobre festa Junina), e em alguns casos é até mesmo ameaçada com notas baixas, porquê a professora, na maioria das vezes, é devota de algum santo, simpatizante ou praticante da religião Católica, que é a maior divulgadora desta festa. Neste momento quando se mistura folclore e religião, a criança-inocente por natureza - rapidamente se envolve com as músicas, brincadeiras, comidas e doces.

Aliás, não existiria esta festa não fosse a religião. Inclusive existe a competição entre clubes, famílias ou grupos para realizarem a maior ou a melhor festa junina da rua, do bairro, da fazenda, sítio, etc...

Além disso, não podemos nos esquecer de que o teor de tais festas oscila de região para região do país, especialmente no norte e no nordeste, onde o misticismo católico é mais acentuado.

As mais tradicionais festas juninas do Brasil acontecem em Campina Grande (Paraíba) e Caruaru (Pernambuco). O espaço onde se reúnem todos os festejos do período são chamado de arraial.

Geralmente é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro. Nos arraiás acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos caipiras.

UMA SUPOSTA ORIGEM DAS FESTIVIDADES

Para as crianças católicas, a explicação para tais festividades é tirada da Bíblia com acréscimos mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte:

“Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência, afinal de contas amigos de verdade costumam conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista. Não havia correio, telefone, muito menos Intemet. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”.

Como podemos ver, a forma como é descrita a origem das festas juninas é extremamente pueril, justamente para que alcance as crianças.

As comemorações do dia de São João Batista, realizadas em 24 de junho, deram origem ao ciclo festivo conhecido como festas juninas. Cada dia do ano é dedicado a um dos santos canonizados pela Igreja Católica. Como o número de santos é maior do que o número de dias do ano, criou-se então o dia de “Todos os Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas alguns santos são mais reverenciados do que outros. Assim, no mês de junho são celebrados, ao lado de São João Batista, dois outros santos: Santo Antônio, cujas festividades acontecem no dia 13, e São Pedro, no dia 28.SINCRETISMO RELIGIOSO

PLÁGIO DO PAGANISMO

Na Europa antiga, bem antes do descobrimento do Brasil, já aconteciam festas populares durante o solstício de verão (ápice da estação), as quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24, diversos povos , como celtas, bascos, egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, prover a fartura nas colheitas e trazer chuvas. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que o povo acreditava. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Por exemplo: as cerimônias realizadas em Cumberland, na Escócia e na Irlanda, na véspera de São João, consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes em passar crianças pela fumaça de fogueiras.

As origens dessa comemoração também remontam à antiguidade, quando se prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa deusa eram denominados “junônias”. Daí temos uma das procedências do atual nome “festas juninas”.

Tais celebrações coincidiam com as festas em que a Igreja Católica comemorava a data do nascimento de São João, um anunciado da vinda de Cristo. O catolicismo não conseguiu impedir sua realização. Por isso, as comemorações não foram extintas e, sim, adaptadas para o calendário cristão. Como o catolicismo ganhava cada vez mais adeptos, nesses festejos acabou se homenageando também São João. É por isso que no inicio as festas eram chamadas de Joaninas e os primeiros paises a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.

Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil. As festas de Santo Antonio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho passaram a ser chamadas de festas juninas. O curioso é que antes da chegada dos colonizadores, os índios realizavam festejos relacionados à agricultura no mesmo
período. Os rituais tinham canto, dança e comida. Deve-se lembrar que a religião dos índios era o animismo politeísta (adoravam vários elementos da natureza como deuses).

As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603 e foram registradas pelo frade Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos que aqui estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.
 

Religiões de várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia, aproveitam-se desse período de festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações católica. O Candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás de sua linha, mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o mês de junho, as festas romanas ganham um cunho profano com muito samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas.

Paralelamente as bandas de axé music se espalham pelas ruas das cidades baianas durante os festejos juninos.

Um fator fundamental na formação do sincretismo é que, de acordo com as tradições africanas, divindades conhecidas como orixás governavam determinadas partes do mundo. No catolicismo popular, os santos também tinham esse poder. “Iansã protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara protege contra raios e tempestades. Como as duas trabalham com raios, houve o cruzamento. Cultuados nas duas mais populares religiões afro-brasileiros – a umbanda e o candomblé – cada orixá corresponde a um santo católico. Ocorrem variações regionais. Um exemplo é Oxóssi, que é sincretizado na Bahia com São Jorge, mas no Rio de Janeiro representa São Sebastião. Lá, devido ao candomblé, o Santo Antônio das festas juninas é confundido com Ogun, santo guerreiro da cultura afro-brasileira.

SUPERSTIÇÕES

1. A Puxada do Mastro
Puxada do mastro é a cerimônia de levantamento do mastro de São João, com banda e foguetório. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter as de Santo Antonio e São Pedro, muitas vezes com frutas, fitas de papel e flores penduradas. O ritual tem origem em cultos pagãos, comemorativos da fertilidade da terra, que eram realizados no solstício de verão, na Europa.
Acredita-se que se a bandeira vira para o lado da casa do anfitrião da festa no momento em que é içada, isto é sinal de boa sorte. O contrario indica desgraça. E caso aponte em direção a uma pessoa essa será abençoada.

2. As fogueiras
Sobre as fogueiras há duas explicações para o seu uso. Os pagãos acreditavam que elas espantavam os maus espíritos. Já os católicos acreditavam que era sinal de bom presságio. Contauma lenda católica que Isabel prima de Maria, na noite do nascimento de João Batista, ascendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima Maria, mãe de Jesus. Por isso a tradição é acendêlas na hora da Ave Maria (às 18h).
Você sabia ainda que cada uma das três festas exige um arranjo, diferente de fogueira? Pois é, na de Santo Antonio, as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de São Pedro, são em formato triangular e na de São João possui formato arredondado semelhante à pirâmide.

3. Os Fogos de Artifício
Já os fogos dizem alguns, eram utilizados na celebração para “despertar” São João e chamá-lo
para as comemorações de seu aniversário. Na verdade os cultos pirolátricos são de origem portuguesa. Antigamente em Portugal, acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João.

4. Os Balões
A saciedade “Amigos do Balão” nasceu em 1998 para defender a presença do ‘balão junino’ nessas festividades. O padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão e o inventor Alberto Santos são figuras ilustres entre os brasileiros por soltarem balões por ocasião das festas juninas de suas épocas, portanto podemos dizer que eles foram os precursores dessa prática.
Hoje, como sabemos, as autoridades seculares recomendam os devotos a abster-se de soltar balões pelos incêndios que podem provocar ao caírem em urna floresta, refinaria de petróleo, casas ou fábricas. Essa brincadeira virou crime em 1965, segundo o artigo 26 do Código Florestal. Também está no artigo 28 da lei das Contravenções penais, de 1941. O infrator pode ir para a cadeia. Não obstante, essa prática vem resistindo às proibições das autoridades.
Geralmente, os balões trazem inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como por exemplo, “VIVA SÃO JOÃO!!!”, ou a outro santo qualquer comemorado nessas épocas.
Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditam que ao soltar balão e ele subir sem nenhum problema, os desejos serão atendidos, caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é um sinal de azar.
A tradição também diz que os balões levam os pedidos dos homens até São João. Mas tudo isso não passa de crendices populares.

FONTE: CEMEPE - CENTRO MUNICIPAL DE ESTUDOS E PROJETOS EDUCACIONAIS JULIETA DINIZ.

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