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22 de agosto de 2011

A semana de Vera Cruz



Apesar da exuberância da paisagem, da complacência dos nativos e das benesses do clima, os portugueses permaneceram apenas dez dias nas paragens paradisíacas da Ilha de Vera Cruz.


As ordens eram claras: a portentosa esquadra de Pedro Álvares Cabral estava em missão rumo a Índia. Deveria seguir pela rota descoberta por Vasco da Gama, estabelecer relações comerciais e diplomáticas com o samorim de Calicute e, de imediato, fundar uma feitoria em pleno coração do reino das especiarias. Por isso, apesar da exuberância da paisagem, da complacência dos nativos e das benesses do clima, os portugueses permaneceram apenas dez dias nas paragens paradisíacas da Ilha de Vera Cruz.

No dia 2 de maio de 1500, 11 navios partiram rumo a malagueta, à canela e ao gengibre. O décimo segundo, sob o comando de Gaspar de Lemos, zarpou na direção oposta, levando ao reino as cartas que anunciavam ter achado a nova terra. Quantas foram às missivas que a nau dos mantimentos conduziu em seu bojo é questão que jamais se elucidará. O certo é que tanto Cabral como os demais capitães enviaram relatos ao rei. Ainda assim, apenas três cartas sobreviveram. De longe, a melhor e mais detalhista é de Pero Vaz de Caminha. Graças a ela, é possível reconstituir, passados cinco séculos, o período que alguns historiadores chamam de Semana de Vera Cruz. Assim foram os dias inaugurais do Brasil:
Quarta-feira, 22 de abril de 1500
- No fim da tarde, a frota de Cabral avistou o cume do monte Pascoal. Ao crepúsculo, a 24 quilômetros da praia e a uma profundidade de 34 metros, os navios lançaram âncoras.
Quinta-feira, 23 de abril
- Às 10h da manhã, os navios ancoraram defronte da foz do rio Caí. Nicolau Coelho, veterano das Índias, foi até a praia, num bote e lá fez o primeiro contato com 18 nativos.
Sexta-feira, 24 de abril
- Por conselho dos pilotos a armada levantou âncora e partiu em busca de melhor porto. Encontraram-no, seguro, 70 quilômetros mais ao norte. Ali, dois nativos subiram a bordo. Falaram pouco e logo dormiram no tombadilho da nave de Cabral.
Sábado, 25 de Abril
- Bartolomeu Dias, Nicolau Coelho e Pero Vaz de Caminha foram à praia e encontraram cerca de 200 indígenas. Houve troca de presentes de pouco valor.
Domingo, 26 de abril
- Frei Henrique, franciscano que seria inquisidor, rezou a primeira missa em solo brasileiro, na Coroa Vermelha. Houve grande confraternização entre nativos e estrangeiros ao longo de todo o domingo.
Segunda-feira, 27 de abril
- Diogo Dias e dois degradados visitaram a aldeia dos tupiniquins, erguida a uns 10 quilômetros da praia. Não lhes foi permitido dormir lá.
Terça-feira, 28 de abril
- Os portugueses fizeram lenha, levaram roupa e prepararam uma grande cruz.
Quarta-feira, 29 de abril
- Ao longo de todo dia, o navio com os mantimentos que seriam enviados de volta a Portugal foi esvaziado de sua carga.
Quinta-feira, 30 de abril
- Cabral e os capitães desembarcaram. Na praia havia uns 400 nativos, com os quais eles passaram o dia dançando e cantando.


Sexta-feira - 1° de maio
- A tripulação deixou os navios e seguiu em procissão para o erguimento da cruz.
Sábado, 2 de maio
- A esquadra partiu para Calicute, o navio dos mantimentos foi para Portugal. Dois grumetes desertaram da nau capitânia. Na praia, aos prantos, foram deixados dois degredados.”
Eduardo Bueno/Zero Hora

FONTE: Cemepe.

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